Midnight Skies

Eu estava pensando em suicídio. Na verdade, eu penso nisso há muito tempo. Já pensava antes mesmo de enxergar isso – o suicídio – como uma possibilidade real. Porém, hoje eu não estava pensando sobre isso da mesma forma como eu pensava há meses atrás (quando li O Pacto, por exemplo). Hoje, depois de ler a última página do livro Os 13 Porquês (Jay Ahser), a última mesmo, aquel que fala sobre pedir ajuda se você se identificou com a personagem de Hannah Baker, meus pensamentos sobre suicídio não giravam em torno do ato em si – dar fim à própria existência -, mas sim no porquê uma pessoa decidi assim fazê-lo. As minhas razões, durante a pior fase da minha vida, quando alcancei níveis de apatia considerados inumanos (?), eram simples. Ou pelo menos eu via assim. Eu apenas não queria mais existir. Não sentia vontade de existir, muito menos de viver. Para que? Para marcar presença na vida dos outros? E por presença, eu me refiro à presença material, física, e não um quarto vazio na casa, uma conta de msn sem ser usada. Agora (depois que li o livro) vejo de outra forma. Ano passado eu tive a minha primeira e única depressão de verdade. Coisa patológica mesmo. Foi logo após ler Lua Nova (Stephenie Meyer). Quem já leu sabe o quão deprimente o livro é. Mas eu sabia que apenas um livro não podia ter aquele efeito em minha vida. Livros sempre exercem um forte efeito sobre minha vida, e eu me deixo envolver pelas histórias e personagens de forma nada saudável, na maioria das vezes. Mas eu sei que um livro de romance, ainda mais do tipo de Lua Nova (adolescente, dramático e exagerado ao ponto de ser emo) não me deixaria sem fome (oi, não importa meu humor, eu sou o monstro do lago Ness, mas tristeza costuma ser biotônico fontoura para minha fome), com medo de ficar sozinha (eu, a ovelha negra da família por gostar de ficar sozinha o tempo todo), sonhando com o livro, quase pesadelos, impedindo-me de dormir e, o pior de tudo, sem conseguir para de chorar. Respirar me fazia chorar e eu não estou sendo exagerada. Eu me lembro que tudo o que eu queria era ser feliz de novo. Eu repetia isso sem parar, implorando a Deus que me desse uma segunda chance; eu me sentia culpada por ter tanto apreço pela tristeza e pela solidão. Entretanto, toda essa depressão foi causada por uma série de coisas, e não um livro. Uma bola de neve, como dizia Hannah Baker. Não vou citar essas coisas agora, já fiz esse desabafo em posts anteriores. A questão é – que foi justamente o que eu aprendi com o livro: tudo importa. De alguma forma, cada ação sua, cada escolha, cada palavra dita, cada palavra não dita, tudo isso terá um efeito na vida do outro, e na sua própria vida, e esse efeito tem proporções diferentes para cada um, proporções que, na maioria das vezes, desconhecemos.

Já conversei uma vez com minha mãe sobre meus pensamentos suicidas. Foi justamente no dia em que eles foram embora. Eu disse a ela tudo, tentei explicar que não havia depressão (como eu disse, esse tipo de pensamento precede a tal depressão), não havia uma razão a ser nomeada, a não ser a minha frustração com a vida. Eu disse a ela, no entanto, para não se preocupar porque eu não iria me matar. E era verdade. Ainda é. Como dizia Emily (O Pacto), “sou muito covarde para me matar e muito covarde para viver”. Mas não é só isso. Toda vez que penso em formas de fazer isso, só me vem a mente maneiras bastante lentas e, de certa forma, egocêntricas. Lentas porque, quanto mais demorar, maiores são as chances de alguém chegar a tempo, me encontrar, me salvar. O que prova que eu não quero morrer, eu quero ser salva. E aí entra o egocentrismo. Agora eu entendo porque algumas pessoas tentam se matar. Elas querem atenção. Elas precisam de atenção. Alguém precisa notá-las, ver a situação em que elas se encontram e, além disso, compreender a gravidade da situação. Não há nada de errado em se querer atenção vez ou outra. Especialmente se você carrega o mundo dentro do peito e não acha onde pôr para fora. E acho que é isso que eu quero: atenção. Não atenção do tipo sou-uma-criança-mimada-e-quero-MAIS-atenção. Eu tenho coisas a dizer, não importa o quão boba elas possam parecer para você, e também tenho sentimos que quero e preciso expressar. Eu tenho sonhos, parte deles grandes demais para caberem dentro do meu corpo. Eu quero mudar o mundo, as pessoas, o ambiente, sempre para melhor, ainda que minha idéia de melhor seja um pouco diferente da dos outros. Eu não deveria pelo menos ter uma chance de mostrar que o meu “melhor” pode ser um bom “melhor”? Deve ser por isso que existem pessoas tão excêntricas. O desejo de ser diferente, ou melhor, o ser diferente é uma espécia de fuga – a maneira que nós achamos de sobreviver nesse mundo medíocre, hipócrita, fedido, feio e bobo! Ser diferente é como fazer parte de um grupo, como se você fosse especial, porque você é diferente! Não é padronizado, não é conformista. Quem não gosta de se sentir especial?

Então, depois de tanta viagem, volto ao início deste… desabafo. Tudo importa. Agora eu também entendo (vixe, tô toda entendida hoje) porque são os adolescentes que mais querem atenção, que mais tentam ser diferente. Que mais cometem suicídio. Porque somos (ainda sou adolescente, certo?) menosprezados. Acontece muito com as crianças também, mas as consequências, de qualquer maneira, só se manifestam na adolescência. Tudo não passa de drama, e tudo sempre vai passar. Os nossos problemas são sempre pequenos e não passam de “coisas da idade”, uma fase. Mas só nós sabemos o que cada problema representa para nós, quão grandes ele realmente são e que tipo de marcas irão deixar. Outras pessoas poderiam saber também, mas elas não ligam. E aí nós vamos acumulando essas marcas, os traumas, os estigmas, o descaso. Chega a um ponto que não há mais porque falar, tentar desabafar, como os psicólogos e estudiosos aconselham. Não é legal sentir-se menosprezado, ver alguém fazendo pouco caso de seu problema, ainda mais se você confia nessa pessoa. Então é melhor ficar calado, guardar para si mesmo. É uma dor a menos. Entende o que eu quero dizer por “bola de neve”?

Er… holy crap. Escrevi demais. Demais mesmo. Mas eu precisava. E olha que nem contei do meu quase-assalto hoje. Fica pra próxima… ou não.

~ por Isadora em Novembro 5, 2009.

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