Feliz dia dos Encalhados

Sou patética, pff. Estava sentanda no sofá, comendo uma banda de pão integral e assistindo mtv hits. Essa cena em si já é 100% teen. Ok, então, logo após Colbie Caillat, a mtv hits me coloca um clip de Avril Lavigne (ou da mais nova versão desta). O pior não foi ver miss Lavigne com aquela peruca rosa, roupinha brega de cheerleader, grunhindo algo que me lembra outra(s) música(s) dela. Não, o pior foi eu ter gostado. O pior foi o sentimento de nostalgia que me abateu. Ca-ra O___O Lembrei-me (haha, olha que chique eu escrevendo corretamente) da minha pré-adolescência, quando eu era emo, ou qualquer coisa que estivesse na moda, vivia rindo com os amigos, fazendo balburdia em toda esquina, me sentindo o must. De repente eu vi a Isadora de agora, uma Isadora que passou o fim de semana inteirinho deitada no sofá da sala lendo um livro. Essa mesma Isadora que ano passado não saia com os amigos (também porque não os tinha; os amigos ficaram em Itabuna), e ficava em casa vendo um filme atrás do outro. Não estou dizendo que isso é ruim, não mesmo. Mas também não é bom. Esse ano eu tô vendo isso claramente. Agora que tenho meus compadres nefelibatas, a vida não é mais a mesma. O troca-troca de livros, filmes, idéias, as horas perdidas viajando para outros mundos (geralmente nas aulas de biologia, história do Brasil ou atualidades), as horas gastas rindo de piadinhas infames que invetamos, as personagens que criamos. Desperdicei sim uma parte da minha adolescência me negando a viver, a se enquadrar, querendo ser algo que nã sou sob a desculpa de “ser diferente”. Fui, no entando, mais adolescente que muita gente. Uma verdadeira sonhadora, boba, que acha que sabe tudo e não admite a idéia de que alguém lhe ache menos culta ou intelectual que si próprio. A adolescência, ao mesmo tempo que é absurdamente ridícula, é completamente bonita. Eu, diferente da maioria dos jovens de minha idade, não vivi essa fase a la “carpe diem”. Não namorei. Não fui praquilo que chamam de balada (que nome mais feio!). Não piriguetei. Não vi novelas da globo, não vi big brother, não vi sessão da tarde, não vi malhação (graças a Deus por isso). Também não me maqueei, nem me arrumei. Não dei chapinha no cabelo nem pintei minhas unhas. Pode parecer que eu estou insinuando que tudo isso que acabo de mencionar é completamente fútil e que eu, a nã-alienada, sou “o cara”. Não, nada disso. Agora vejo que eu tinha mesmo era que ter sido emo uma dia. E no outro dia gótica. E no outro dia indie (ok, não precisei chegar ao pagode, grazaDeus). Porque só assim eu poderia descobrir quem eu sou de verdade, e não criar um eu baseado em personagens de filmes que eu gosto. Eu tinha que ter feito papel de ridícula, me achado a sabichona, quebrado a cara, pois só assim eu aprenderia a ser humilde e controlada (sim, porque tem umas meninas hoje em dia que são piores que Britney Spears).

Mas, na verdade, cedo demais eu decidi não viver aqui, mas em outro lugar. Um dia em Nárnia, outro dia na Terra-Média, outro dia em Alagaesia, outro dia em Nova York, depois em Londres, depois no Egito, no mundo Emerso, em Atlanta, em Saturno… Decidi sair de mim e ser Veronica Mars, Seth Cohen, Chuck Charles, Amelie Poulain, Elizabeth Bennet. Quis ser pirata, bruxa, elfa, espadachim, fada, princesa, heroína. Quis ser tudo e todos menos o que eu realmente era (e ainda sou), uma reles humana, fadada ao sono eterno, como já dizia Tolkien. E sabe o que Avril Lavigne tem a ver com toda essa “encheção de linguiça” aí? Ao ouvir a música eu vi que quando eu estava com meus amigos, curtindo o momento, sem me preocupar com o estilo musical, a marca da roupa ou o liguajar, eu era mais feliz. Eu era feliz naquele momento e esse sentimento durava até a hora de dormir, e depois. Não acabava junto com a última página do livro, nem junto com os créditos do filme. Pois é, pois é… Preciso apreciar mais esse mundinho em que vivo, ou então serei a próxima a complementar os indíces de suicídios.

hahaha… =x não, não tô pensando em suicidar, okay? Fui irônica :p

Ah, e feliz dia dos encalhados. Comemoremos hoje, pois amanhã não só todos os meios de comunicação, mas também seus coleguinhas que estão namorando, e até seus pais, lhe farão o favor de esfregar na sua cara que você é um(a) solteirão(ona). E viva os encalhados… que arranjemos logo quem nos presentei nessa data símbolo do capitalismo ^^

~ por Isadora em Junho 12, 2008.

3 Respostas to “Feliz dia dos Encalhados”

  1. Para o bonde que eu quero descer! Só de inicio, e caso você ainda não tenha percebido: você ainda tem uma adolescencia para curtir! E tudo isso que você fez ou não fez parte de VIVER! E avida é muito boa sim. Pode ser complicada, mas é boa! Beijos

  2. By the way, esse ano, sem namorado, já ganheir tr~es presentes e duas mensagens! Rss Acho que vou me manter assim! Rss

  3. ahuahuha HEHEH ..
    LEGAL ^^
    ENtrem no MEow bloG!

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