No meio do caminho tinha uma pedra… e que pedra!
Março 21, 2008
Acabo de me descobrir apaixonada por um morto! Não pelo seu corpo físico. Talvez por suas palavras, ou por seu intelecto… ou pelo conjunto de tudo isso, ao qual chamo carinhosamente de Carlos Drummond de Andrade. Carinhosamente sim, pois não vejo como é possível pronunciar tal nome sem ser carinhosamente (e uma vontade louca de ter conhecido esse velhinho supimpa!).
“Satânico é meu pensamento a teu respeito, e ardente é o meu desejo de apertar-te em minha mão, numa sede de vingança incontestável pelo que me fizeste ontem. A noite era quente e calma, e eu estava em minha cama, quando, sorrateiramente, te aproximaste. Encostaste o teu corpo sem roupa no meu corpo nu, sem o mínimo pudor! Percebendo minha aparente indiferença,aconchegaste-te a mim e mordeste-me sem escrúpulos.
Até nos mais íntimos lugares. Eu adormeci.
Hoje quando acordei, procurei-te numa ânsia ardente, mas em vão.
Deixaste em meu corpo e no lençol provas irrefutáveis do que entre nós ocorreu durante a noite.
Esta noite recolho-me mais cedo, para na mesma cama, te esperar. Quando chegares, quero te agarrar com avidez e força. Quero te apertar com todas as forças de minhas mãos. Só descansarei quando vir sair o sangue quente do seu corpo.
Só assim, livrar-me-ei de ti, pernilongo Filho da Puta!!!!”
Carlos Drummond de Andrade
Entry Filed under: Amenidades, Poesias. Etiquetas: Carlos Drummond de Andrade, paixão, pernilongo.



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