Midnight Skies

•Novembro 5, 2009 • Deixe um comentário

Eu estava pensando em suicídio. Na verdade, eu penso nisso há muito tempo. Já pensava antes mesmo de enxergar isso – o suicídio – como uma possibilidade real. Porém, hoje eu não estava pensando sobre isso da mesma forma como eu pensava há meses atrás (quando li O Pacto, por exemplo). Hoje, depois de ler a última página do livro Os 13 Porquês (Jay Ahser), a última mesmo, aquel que fala sobre pedir ajuda se você se identificou com a personagem de Hannah Baker, meus pensamentos sobre suicídio não giravam em torno do ato em si – dar fim à própria existência -, mas sim no porquê uma pessoa decidi assim fazê-lo. As minhas razões, durante a pior fase da minha vida, quando alcancei níveis de apatia considerados inumanos (?), eram simples. Ou pelo menos eu via assim. Eu apenas não queria mais existir. Não sentia vontade de existir, muito menos de viver. Para que? Para marcar presença na vida dos outros? E por presença, eu me refiro à presença material, física, e não um quarto vazio na casa, uma conta de msn sem ser usada. Agora (depois que li o livro) vejo de outra forma. Ano passado eu tive a minha primeira e única depressão de verdade. Coisa patológica mesmo. Foi logo após ler Lua Nova (Stephenie Meyer). Quem já leu sabe o quão deprimente o livro é. Mas eu sabia que apenas um livro não podia ter aquele efeito em minha vida. Livros sempre exercem um forte efeito sobre minha vida, e eu me deixo envolver pelas histórias e personagens de forma nada saudável, na maioria das vezes. Mas eu sei que um livro de romance, ainda mais do tipo de Lua Nova (adolescente, dramático e exagerado ao ponto de ser emo) não me deixaria sem fome (oi, não importa meu humor, eu sou o monstro do lago Ness, mas tristeza costuma ser biotônico fontoura para minha fome), com medo de ficar sozinha (eu, a ovelha negra da família por gostar de ficar sozinha o tempo todo), sonhando com o livro, quase pesadelos, impedindo-me de dormir e, o pior de tudo, sem conseguir para de chorar. Respirar me fazia chorar e eu não estou sendo exagerada. Eu me lembro que tudo o que eu queria era ser feliz de novo. Eu repetia isso sem parar, implorando a Deus que me desse uma segunda chance; eu me sentia culpada por ter tanto apreço pela tristeza e pela solidão. Entretanto, toda essa depressão foi causada por uma série de coisas, e não um livro. Uma bola de neve, como dizia Hannah Baker. Não vou citar essas coisas agora, já fiz esse desabafo em posts anteriores. A questão é – que foi justamente o que eu aprendi com o livro: tudo importa. De alguma forma, cada ação sua, cada escolha, cada palavra dita, cada palavra não dita, tudo isso terá um efeito na vida do outro, e na sua própria vida, e esse efeito tem proporções diferentes para cada um, proporções que, na maioria das vezes, desconhecemos.

Já conversei uma vez com minha mãe sobre meus pensamentos suicidas. Foi justamente no dia em que eles foram embora. Eu disse a ela tudo, tentei explicar que não havia depressão (como eu disse, esse tipo de pensamento precede a tal depressão), não havia uma razão a ser nomeada, a não ser a minha frustração com a vida. Eu disse a ela, no entanto, para não se preocupar porque eu não iria me matar. E era verdade. Ainda é. Como dizia Emily (O Pacto), “sou muito covarde para me matar e muito covarde para viver”. Mas não é só isso. Toda vez que penso em formas de fazer isso, só me vem a mente maneiras bastante lentas e, de certa forma, egocêntricas. Lentas porque, quanto mais demorar, maiores são as chances de alguém chegar a tempo, me encontrar, me salvar. O que prova que eu não quero morrer, eu quero ser salva. E aí entra o egocentrismo. Agora eu entendo porque algumas pessoas tentam se matar. Elas querem atenção. Elas precisam de atenção. Alguém precisa notá-las, ver a situação em que elas se encontram e, além disso, compreender a gravidade da situação. Não há nada de errado em se querer atenção vez ou outra. Especialmente se você carrega o mundo dentro do peito e não acha onde pôr para fora. E acho que é isso que eu quero: atenção. Não atenção do tipo sou-uma-criança-mimada-e-quero-MAIS-atenção. Eu tenho coisas a dizer, não importa o quão boba elas possam parecer para você, e também tenho sentimos que quero e preciso expressar. Eu tenho sonhos, parte deles grandes demais para caberem dentro do meu corpo. Eu quero mudar o mundo, as pessoas, o ambiente, sempre para melhor, ainda que minha idéia de melhor seja um pouco diferente da dos outros. Eu não deveria pelo menos ter uma chance de mostrar que o meu “melhor” pode ser um bom “melhor”? Deve ser por isso que existem pessoas tão excêntricas. O desejo de ser diferente, ou melhor, o ser diferente é uma espécia de fuga – a maneira que nós achamos de sobreviver nesse mundo medíocre, hipócrita, fedido, feio e bobo! Ser diferente é como fazer parte de um grupo, como se você fosse especial, porque você é diferente! Não é padronizado, não é conformista. Quem não gosta de se sentir especial?

Então, depois de tanta viagem, volto ao início deste… desabafo. Tudo importa. Agora eu também entendo (vixe, tô toda entendida hoje) porque são os adolescentes que mais querem atenção, que mais tentam ser diferente. Que mais cometem suicídio. Porque somos (ainda sou adolescente, certo?) menosprezados. Acontece muito com as crianças também, mas as consequências, de qualquer maneira, só se manifestam na adolescência. Tudo não passa de drama, e tudo sempre vai passar. Os nossos problemas são sempre pequenos e não passam de “coisas da idade”, uma fase. Mas só nós sabemos o que cada problema representa para nós, quão grandes ele realmente são e que tipo de marcas irão deixar. Outras pessoas poderiam saber também, mas elas não ligam. E aí nós vamos acumulando essas marcas, os traumas, os estigmas, o descaso. Chega a um ponto que não há mais porque falar, tentar desabafar, como os psicólogos e estudiosos aconselham. Não é legal sentir-se menosprezado, ver alguém fazendo pouco caso de seu problema, ainda mais se você confia nessa pessoa. Então é melhor ficar calado, guardar para si mesmo. É uma dor a menos. Entende o que eu quero dizer por “bola de neve”?

Er… holy crap. Escrevi demais. Demais mesmo. Mas eu precisava. E olha que nem contei do meu quase-assalto hoje. Fica pra próxima… ou não.

Help I’m Alive

•Outubro 25, 2009 • 1 Comentário

Não sei se vai sair coisa boa, mas algo precisa sair, então… qualquer coisa eu deleto o post.

Eu estou feliz. Ou estava. Hoje eu percebi que após mais ou menos 1 ano, eu estava feliz de verdade. Desde que eu larguei a faculdade, eu estou feliz. Acho que fiquei tanto tempo triste (ou cultivando a tristeza, como você preferir) que agora eu acho estranho ser feliz. Acordar de manhã e… estar feliz, leve. É tão estranho! É quase… vazio. Eu sei que isso é um pouco absurdo, e que, uau, eu pareço uma ingrata mimada. Quando eu era triste, minha vida era vazia, sem sentido, e eu simplesmente não me incomodaria se eu deixasse de viver, de existir. Agora que eu sou feliz, minha vida não é mais vazia, mas isso é porque uma pessoa feliz é capaz de enxergar conteúdo em quase tudo. Eu não passo mais tardes na rede vendo o pôr-do-sol ao som de Perishers – eu nunca mais ouvi Persihers! Radiohead então, nem se fala… Tudo isso porque eu estou feliz. Eu larguei a faculdade, estou seguindo um sonho, estou ocupando meu tempo com o que eu gosto, fiz novos amigos. Sinto-me 100% em paz com minha decisão de mudar de curso, de recomeçar, e minha mãe também está encarando tudo tão bem… ela também está feliz. Ela está feliz porque eu estou feliz.

Mas o que é a felicidade? Aliás, o que é estar feliz? Estar nos dá uma idéia de transitoriedade. Hoje você está chateado, amanhã não está mais. Hoje você está casado, amanhã não está mais. Hoje você está vivo, amanhã… não se sabe. E estar feliz tem me incomodade. E o fato de que estar feliz tem me incomodado me incomoda mais ainda! Eu sou realmente emo, emo a la Simple Plan, tendências depressivas e tudo isso. Eu gosto de ser triste. Pronto, falei. Será que existe um grupo de apoio para viciados em tristeza? Uma rehab? Eu gosto de drama, melancolia. Eu percebi que está muito além do querer sentir algo, qualquer coisa, porque isso já seria melhor que o nada que eu constantemente sinto (se é nada, como eu sinto? mas enfim…). Eu era triste por não sentir nada, e achava que a minha tristeza vinha daí. Mas eu acho que eu passei tanto tempo sendo triste que a Tristeza virou uma amiga, uma companheira, e agora eu sinto falta dela quando ela se vai. Quando estamos tristes, vemos o mundo de uma outra forma diferente. O tempo frio e o céu nublado te proporcionam momentos de reflexão profunda, e é uma coisa involuntária. Você olha para o céu, para fora, para o ambiente, e sua mente já está em outro level, bem longe, num plano metafísico. Uma pessoa triste tem como meta encontrar a felicidade, e é nessa busca que procuramos solução para tudo, porque analisamos tudo. É como se o status de triste lhe conferisse um quê de filósofo, de psicólogo, sociológo, filólogo, tudo-ólogo. E que outra forma há de se evoluir na vida? Não evoluir no plano material. Estou falando de compreender que a vida é muito mais do que isso, muito mais do que nascer-crescer-estudar-trabalhar-casar-reproduzir-morrer. A vida é muito mais do que assistir jornal e novela à noite, do que sair com os amigos para ir ao cinema e dar boas risadas, muito mais do que conseguir um bom emprego ou um bom marido. Não vejo pessoas felizes compreendendo que há algo maior a ser buscado, a ser alcançado. Elas estão felizes, então para que toda essa ganância de querer mais? Elas limitam o querer-mais delas. Elas querem mais felicidade, mais tranquilidade, segurança. Acho que pessoas felizes nunca descobrem a verdade. Até porque, creio eu, na maior parte dos casos, a verdade poria fim à felicidade delas. Pessoas felizes estão sempre muito ocupadas sendo felizes, sorrindo, não preocupando-se.

Uma pessoa triste, por estar sempre em busca da felicidade, está sempre preocupada, sempre ocupada e empenhada em achar a tal felicidade, a verdadeira e plena felicidade, e não essa de faz-de-conta que quase todo mundo tem e se satisfaz com ela. Por ser triste, é inerente a ela a visão pessimista, então a pessoa triste vai estar vacinada contra essa falsa felicidade, essa que vendem na tv, na novela, na revista Caras e na Veja, essa que está na casa do vizinho e você acha muito atraente. A pessoa triste vê por trás da máscara, vê que é algo transitório, é um estar feliz, e não um ser feliz. E por isso não acredito mais em “ser feliz para sempre”. Só seremos felizes para sempre depois da morte.

Não, eu não sou emo. Eu sei que não (apesar de ter cantando uma música do simple plan inteirinha quando tocou no shopping…). E eu também não sou maníaco-depressiva (pelo menos eu acho que não). Eu só não consigo aceitar nada menos que a verdade. Eu tomo doses cavalares de fantasia todos os dias, desde… uns 11 anos? Desde que eu descobri como ler é bom, libertador, transformador, eu me drogo constantemente, cada dia um livro diferente, uma droga diferente. Mas ainda assim, não é o suficiente. E então eu tento viver a realidade, essa medíocre e massificante que me é dada, e ainda assim não é suficiente. Eu preciso demais, e por isso eu estou sempre em uma realidade alternativa. Eu saio da vida real e vou para a realidade dos livros, saio dos livros e vou para os filmes, saio dos filmes e vou para as músicas, saio das músicas e vou me refugiar em minha mente, onde tudo acontece do meu jeito, onde o sonho é meu. E mesmo assim, nunca é suficiente. Eu continuo insatisfeita, porque não posso ter na vida real o que eu tenh nos livros, e nos livros há sempre as mentiras que me iludem, que os tornam perfeitos, que os tornam meu refúgio. E o que acontece na minha mente, fica na minha mente. E ainda que eu passe para o papel, ainda que eu viva isso da maneira mais transcedental possível, num outro plano, vai ser tudo uma ilusão, uma forma que eu criei de viver uma vida satisfatória, uma forma que eu criei de ser feliz.

Por mais sedutora e divertida que seja, a Matrix não dá para mim. Acho que não foi à toa que, há muuuuitos anos atrás, meu e-mail era princesa_de_zion.

Esse post está totalmente falta-de-sexo, drogas passadas da validade e indie rock. Voltei a ouvir Perishers. Voltei a blogar de madrugada. Voltei a ser triste. Mas sabe, eu ainda estou feliz. Sou triste e estou feliz. Isso sim é unir o útil ao agradável.

The Show

•Outubro 19, 2009 • Deixe um comentário

O título deste post deveria ser “bloqueio”, mas todo post meu leva o nome de uma música e eu não estou muito afim de quebrar tradições hoje. Além das que eu já quebrei, claro (pintei o cabelo de açaí, beijos).

Estou com um sério bloqueio criacional, social, existencial, literário… Eu quero escrever, eu sei que eu quero escrever, mas toda vez que eu tento, saem coisas piores que Marcada, da série House of Night. E isso é inaceitável. E eu preciso aprender a não mostrar minhas criações para os outros antes de terminá-la. Conselho do Rick Riordan! Eu também não estou lendo nada no presente momento. Comecei a ler Catching Fire, da Suzanne Collins, mas eu estou com medo. Eu sei que eu vou sofrer, e eu sei que tem um final angustiante e mal resolvido, e só Deus sabe quando sai o terceiro livro, então… não. E Someone Like You, da Sarah Dessen, que Lety me deu de presente, é lindo e fofo, e eu já vi o filme, sei que é terreno seguro, sei que vou gostar (gostei dos dois capítulos que li), mas esse bloqueio miserável simplesmente não me permite ter concentração o suficiente para ler o livro.

E aqui estou eu, escrevendo mais um post sem propósito, tentando abrir meu coração, deixar a alma mais leve… mas sem muito sucesso. Ajuda, comofas?

“I’m just a little bit
Caught in the middle
Life is a maze
And love is a riddle
I don’t know
Where to go
Can’t do it alone
I’ve tried
And I don’t know why”

Man of the hour

•Outubro 6, 2009 • 1 Comentário

Estou nostálgica. Na verdade, este foi um ano nostálgico para mim. Em meu declínio para o patamar abaixo da Apatia, eu comecei a sentir falta do meu velho eu. Ah, eu sei, o tempo passa, a gente cresce, muda, a gente vive um monte de coisa, passa por diversas experiências, e somos uma pessoa diferente no fim das contas. Não deveríamos sentir falta do velho eu. Se ficamos pior, deveríamos querer mudar para melhor, sempre seguir em frente, nunca voltar atrás. Mas, bom, e quando foi que eu funcionei no plano do “dever-ser”? (resquícios da faculdade de direito, bjs) Eu sinto falta de quem eu era ano passado, e do que eu tinha. Eu sinto falta de ter um motivo para levantar cedo de manhã, ainda que esse motivo fosse ir para a escola. Eu odiava a escola, a instituição escola, mas não o que eu conseguia dela. Eu não odiava as aulas de atualidades e meus inúmeros debates políticos com Gigi; eu não odiava filar aula com Ariel e Filipe para discutir mundos alternativos, falar dos nossos coleguinhas microcéfalos ou criar histórias mirabolantes para livros que nunca serão publicados. Eu não odiava passar o intervalo cantando Los Hermanos com Samy; não odiava ser uma das poucas pessoas acordadas na aula de Dora, e adorava rir das piadas de Dudu. Havia fortes sinais da dominação da Apatia em minha vida, mas eu ainda me interessava. Eu simpatizava com os Kosovares, me preocupava com o futuro da Ossétia do Sul, sabia a lista completa dos filmes que concorreriam ao Oscar. Eu ainda me importava. Eu ainda vivia. E então vieram as más escolhas. As más atitudes. Os maus conselhos – ou melhor, os conselhos mal ouvidos. Veio a distância, as decepções. Veio a verdade. E eu simplesmente preciso desabafar, contar a verdade, ainda que ninguém vá lê-la – ou pelo menos ninguém que importa, que deveria ler, ouvir o que tenho a dizer.

Eu não deveria ter deixado “o mundo” sufocar meus sonhos. Eu não deveria ter sido tão fraca e em frente a tantos obstáculos, desistir. Quem desistiu… bem, não há registro de quem desistiu, porque eles nunca alcançaram seu grande e fabuloso destino, seu sonho. Sabemos de Einstein, de J. K. Rowling, de Bill Gates, Machado de Assis, Lulinha Paz e Amor. O que são meus obstáculos perto dos deles? São quebra-molas, enquanto eles enfretaram montanhas, picos (não consigo pensar em nada mais alto). Foi preciso gastar uma fortuna numa faculdade de direito para que eu me tocasse de que não era aquilo, que não havia outra saída para mim a não ser fazer aquilo para que eu fui designada. Eu posso não ganhar o que mamãe, formada em direito e concursada, ganha, mas quem disse que eu estou atrás de um salário rechonchudo? De que vale tanto dinheiro se, daqui a dez anos, eu ainda vou acordar sem a mínima vontade de existir?
Outra verdade é que eu sou uma péssima amiga. Quem já foi vítima de minha indiferença e esquecimento sabe disso. Mas foi preciso uma experiência traumática e, aparentemente, irreversível, para que eu não só enxergasse e admitisse isso, mas para que eu quissese mudar. Eu enjôo das pessoas. Eu e minha mania de cansar do mundo, de tudo e todos que nele vivem, e ignorar que os outros tem sentimentos, que eles podem se machucar muito com minhas ações. Eu simplesmente achava que se eu me afastasse, a pessoa me esqueceria, me deixaria para lá, e então tudo estaria certo. E então eu fui vítima do meu próprio veneno (oi, fifi!), esquecida e ignorada por alguém muito importante para mim, alguém que eu considerava um melhor amigo, uma alma gêmea no plano da amizade. Eu critiquei, falei mal, xinguei, amaldiçoei. E depois? Ah, depois eu decidi que era hora de fazer o mesmo com a minha outra metade (também no plano da amizade, seus trouxas). O pior é saber que ele tentou reverter a situação, que ele tentou salvar a nossa amizade, mas eu estava me afogando num poço de apatia e não pude, ou melhor, não quis, fazer nada a respeito. Hoje eu não tenho nenhum dos dois. E a quem eu posso culpar senão a mim mesma? Eu nem sequer posso me ressentir de Ariel (oi, ari!), porque ele tentou, e eu não fiz nada. Eu cometi todos os erros, eu impedi qualquer reconciliação; eu desisti de tudo muito antes dele, e agora é tarde demais. Outra verdade é que eu realmente achava que eu superaria a perda de uma (duas, na verdade) amizade, assim como sempre acontecia. Hoje, porém, eu sei que eu não superei merda nenhuma.

Agora me diga, como não ficar nostálgica? Como não querer voltar no tempo, voltar para o tempo? Minha mãe sempre lamenta a morte da minha perseverança. Eu lamento a morte do meu amor próprio. Se eu me amasse, eu saberia o quão importante são os amigos na minha vida, eu saberia o quão importante os estudos são, e onde eles me levaram (daqui à faculdade, e da faculdade a qualquer lugar que eu queira). A verdade nua e crua (pequena obs: esse filme me deprimiu, haha) é triste, feiosa, boba, chata. Dá uma vontade enorme de ignorar ela, fingir que ela é uma mentira, uma ilusão, uma história que alguém criou para te colocar para baixo. A verdade nua e crua é que eu não tenho sido uma boa pessoa. Não tenho sido uma boa filha, não tenho sido uma boa amiga, não tenho sido uma boa cristã. Não tenho sido um bom ser humano. Eu desisti de viver, de lutar por alguma coisa – qualquer coisa! -, de querer alguma coisa. E isso me torna a mais medíocre das medíocres.

Não posso prometer que vou ser uma pessoa melhor. Dado o meu comportamento nos últimos dez meses, eu nem sequer posso prometer que vou tentar. Mas eu tenho alguém que tenta por mim, que, mesmo depois de minhas constantes desistências, minhas repetidas falhas, ainda insiste em me dar forças para continuar. Obrigado, Deus, por não desistir de mim, mesmo quando eu mesma já desisti.

“Now the man of the hour
Is taking his final bow
As the curtain comes down
I feel that this is just goodbye for now”
Man of the hour, Pearl Jam

Dead!

•Agosto 7, 2009 • 2 Comentários

Eu estou num humor MCR (My Chemical Romance) desde a semana passada. E não passa G_G
Também ando meio agressiva e rancorosa… eu tenho uma pessoa para culpar, claro, e a cada dia que passa ela só piora a situação. Mas, apesar de que que atoron gritar junto com o Gerard, não quero ficar na vibe screamo por muito mais tempo, não.

Eu não atualizo isso aqui há eras, então vim mesmo só para impedir as aranhas de dominarem o ambiente. Estou numa fase sociofóbica, fico-em-casa-lendo-não-importa-a-situação, sabem como é? Eu já era apaixonada por leitura, por literatura, melhor dizendo, mas agora a situação tá crítica. Acho que cheguei naquele ponto onde você desaprende a viver na realidade, e não consegue ficar longe de um livro. Precisa de uma história narrada por outra pessoa, uma bem fantasiosa, seja de bruxos, de vampiros, de mitologia ou de um romance arrebatador, para viver, para me sentir viva e plena. Se isso é errado, eu não sei, e nem se apresse a sair dando vereditos sobre o meu caso, hnf.

Então é isso. Comprei cinco livros esse mês, yay! Foram eles:

  1. O Ladrão de Raios, de Rick Riordan (lendo agora!)
  2. O Beijo das Sombras, de Richelle Mead
  3. Contos de Beedle, o Bardo, de J. K. Rowling
  4. Quadribol através dos séculos, de Kennilworthy Whisp
  5. Vampiros em Dallas, de Charlaine Harris

Também ganhei um travesseiro novo, o que siginifica que sonhar será mais confortável ainda. Eu sou o máximo, não sou? Saio do mundo dos livros e vou para o mundo dos sonhos. Faço breves intervalos para fazer a social com a Realidade (vou para a faculdade, converso com pessoas, etc) e é isso. Minha vida se resume à isso. E eu que tanto odeio a mediocridade, estou me rendendo à ela. A mediocridade não está em me perder nas histórias que os livros me contam, e sim em desistir de viver por não achar uma motivação, ou uma fonte de alegria (?).  Haha, calma, caras-pálidas, eu não me esqueci de Deus nem nada do tipo. Graças a Ele, eu vou sair daqui e ir para Nárnia algum dia. Irei para o meu verdadeiro lar, ruas de ouro e pá. O problema é suportar a vida aqui nessa pocilga. Hunf.

“But nobody cares if you’re losing yourself… am I losing myself?!”

U Know What They Do To Guys Like Us In Prison, My Chemical Romance