I love you. Come back. Come back to me.
Quinta foi dia de cinema em casa. Aproveitei a ausência dos priminhos e me rendi aos encantos do sofá. Assisti Desejo e Reparação, finalmente. E devo dizer, Joe Wright é o diretor! Qué qué isso, meu. Para os que não sabem, Mr. Wright é o diretor de Orgulho e Preconceito, que por sinal foi o primeiro longa dele. O&P é uma obra-prima, um dos filmes mais lindos que eu já vi, um dos que está na minha estante e eu sei as falas. Coincidência ou não, Desejo e Reparação é igualmente maravilhoso, com a mesma atriz no papel principal, o mesmo cara (Dario Marianelli) na trilha sonora e, o que me deixou mais surpresa ainda, a Brenda Blethyn também está no filme.
Desejo e Reparação é uma história de amores impossíveis. O nome que derão ao filme aqui no Brasil, por incrível que pareça, se encaixa direitinho. Cecilia Tallis, interpretada por Keira Knightley, deseja Robbue Turber, vivido por James McAvoy. O desejo é recíproco, mas por questões sociais os dois se evitam. Briony, a irmã mais nova de Cecilia, é, na verdade, a peça central do filme. Ela é o desejo da reparação. O enredo do filme é basicamente este: o poder de quem conta uma história. Briony, uma garotinha perfeccionista e mimada, com a imaginação mais fértil que a de Tim Burton (ok, não é pra tanto…), ao ver a irmã e Robbie brigando no lago, pensa que viu uma coisa completamente diferente. Para piorar a situação, Robbie, que tenciona mandar uma carta para Cecilia lhe contando sobre seus sentimentos, acaba trocando os papéis e mandando uma outra carta, bem mais safada, que ele escrevera só para “desabafar”. O erro dele é pedir para Briony entregar a carta, pois ela acaba lendo e… bom, é um vuco vuco, e depois dos primos gêmeos da família fugirem e a prima ser estuprada, a culpa cai sobre Robbie, pois em sua mente Briony acha que o amor da vida de cecilia é um maníaco sexual. O incrível do filme é como Briony vai montando o quebra-cabeça pra chega a conclusão de que Robbie é um pevertido, e de como tudo se encaixa. Briony, que é quem conta a história, tem o poder de manipular, omitir e alterar o que ela quiser e por isso todas as desventuras que o casal bonitinho sofre recaem sobre ela. Não tenho uma crítica (negativa) sequer a fazer sobre o filme.
Joe Wright conseguiu fazer, de novo, uma adaptação praticamente perfeita. O jeito que ele brinca com você entre flashbacks e flashforwards é perturbador, mas é maravilhoso. A trilha sonora é imprescindível. Aquela musiquinha suave, acompanhada o tempo todo pelo som das teclas de uma máquina de escrever te dá a impressão de que a história está sendo escrita naquele momento, junto com você. O livro de Ian McEwan deve ser mesmo muito bom. O filme não deixa nada a desejar. Ao mesmo tempo que cria uma confusão enorme na sua cabeça, misturando as mentiras de Briony com o que é real, ele vai explicando tudo, até chegar àquele momento final, onde a Briony idosa fala sobre seu livro. Foi ali, olhando para o rosto enrugado de Vanessa Redgrave, que eu chorei.
“So, my sister and Robbie were never able to have the time together they both so longed for… and deserved. Which ever since I’ve… ever since I’ve always felt I prevented. But what sense of hope or satisfaction could a reader derive from an ending like that? So in the book, I wanted to give Robbie and Cecilia what they lost out on in life. I’d like to think this isn’t weakness or… evasion… but a final act of kindness. I gave them their happiness.”
Aproveitando o ensejo, quero falar de outro filme também com James McAvoy e Romola Garai. Rory O’Shea Was Here (eu esqueci o nome em português.. acho que é “Os Melhores Dias da Minha Vida”, não tenho certeza) é um dos melhores filmes que já vi na vida. É daqueles que, após assistir, você sente sua vida mudando. Parece que as coisas ao seu redor tomam formas diferentes, e as cores ficam mais vivas. Os mais simples atos de bondade lhe levam às lágrimas. Quem gosta de um bom filme, deve assistir esse. Quem gosta de ver bons atores trabalhando, deve assistir esse filme também. E quem não gosta de filmes, deve assistir esse de qualquer jeito, porque com certeza, após vê-lo, você passará a amar a sétima arte.

1 comment Junho 28, 2008


